Cr nicas
A VITÓRIA CONSUMADA
Durante anos os buracos enfrentaram as forças da prefeitura. Os movia a certeza de que a vitória era questão de tempo. Agora, eles sabem que a vitória final é questão de horas, para não dizer que já aconteceu.
Mas os buracos são modestos. Desde que o grande buraco da Avenida Interlagos saiu de cena, lá se vão alguns anos, os buracos cultivam a humildade e lêem São Francisco diariamente, para não perderem os laços coma realidade.
Eles são sábios. Até os menores, os nascidos na última chuva já chegam no mundo sabendo que a soberba é um grave pecado e que a empáfia não leva a nada.
Hoje, a cidade é deles. Nada, nem ninguém, têm condições de por fim ao grande reinado que se inicia definitivamente no verão de 2010 e não tem data para terminar.
Tanto faz a direção. Tanto faz a rua, a avenida, o beco ou a praça.
Tanto faz a calçada. Ou o que sobrou dela.
Os buracos estão em toda parte. Dominam as forças do bem e do mal, dão as ordens aos policiais e deixam as autoridades civis envergonhadas, cada vez que são vaiadas numa quebrada qualquer, onde um pedaço de rua foi engolido vivo, sem chance de ao menos gritar.
As encostas vêm abaixo, os rios tomam as ruas, derrubam casas e barracos, criando novos buracos no lugar das moradias destruídas.
Há pouco a ser feito. Muito pouco. A distância é tão grande que é até covardia exigir dos agentes da lei que façam algo mais que mandar os bombeiros para salvar os escombros.
Os buracos não comemoram. Não saem fantasiados. Não dormem de toca. Não, eles apenas tocam em frente, um passo depois do outro.
Voltar
Durante anos os buracos enfrentaram as forças da prefeitura. Os movia a certeza de que a vitória era questão de tempo. Agora, eles sabem que a vitória final é questão de horas, para não dizer que já aconteceu.
Mas os buracos são modestos. Desde que o grande buraco da Avenida Interlagos saiu de cena, lá se vão alguns anos, os buracos cultivam a humildade e lêem São Francisco diariamente, para não perderem os laços coma realidade.
Eles são sábios. Até os menores, os nascidos na última chuva já chegam no mundo sabendo que a soberba é um grave pecado e que a empáfia não leva a nada.
Hoje, a cidade é deles. Nada, nem ninguém, têm condições de por fim ao grande reinado que se inicia definitivamente no verão de 2010 e não tem data para terminar.
Tanto faz a direção. Tanto faz a rua, a avenida, o beco ou a praça.
Tanto faz a calçada. Ou o que sobrou dela.
Os buracos estão em toda parte. Dominam as forças do bem e do mal, dão as ordens aos policiais e deixam as autoridades civis envergonhadas, cada vez que são vaiadas numa quebrada qualquer, onde um pedaço de rua foi engolido vivo, sem chance de ao menos gritar.
As encostas vêm abaixo, os rios tomam as ruas, derrubam casas e barracos, criando novos buracos no lugar das moradias destruídas.
Há pouco a ser feito. Muito pouco. A distância é tão grande que é até covardia exigir dos agentes da lei que façam algo mais que mandar os bombeiros para salvar os escombros.
Os buracos não comemoram. Não saem fantasiados. Não dormem de toca. Não, eles apenas tocam em frente, um passo depois do outro.
Voltar
