Cr nicas
O DILÚVIO REVISITADO
Depois de 40 dias navegando sobre terras alagadas pelo dilúvio, Noé encalhou no monte Ararat, para dar início ao repovoamento da terra arrasada pela ira de Deus.
Falar em ira de Deus, quando em outros lugares pessoas sofrem mais do que nós, seria blasfêmia. Não caberia a comparação.
O que são nossas chuvas diante do terremoto que destruiu Porto Príncipe? Em termos históricos, sociológicos e econômicos não há comparação possível.
Mas nossas chuvas batem recordes impressionantes. Já está chovendo a mais tempo do que no dilúvio e, de um jeito ou de outro, tocamos em frente, sem necessidade da arca, que, hoje, no Brasil, verdade seja dita, não conseguiria zarpar.
Entre burocracia, corrupção, nepotismo e desconhecimento, a grande barca ficaria parada, com sorte num porto, sem sorte, num manguezal qualquer, apreendida por ficais do IBAMA, porque estaria carregando animais autóctones sem a respectiva licença ambiental.
Por bem ou por mal, a vida segue sua rotina. A cidade trabalha. O trânsito não anda. E a CET continua a única certeza dentro do caos.
Cenas impressionantes recheiam os jornais da noite. Bravura, tragédia, miséria e desolação enchem as telas das TV’s, e analises de todos os tipos são feitas, ressaltando o óbvio, que é o que dá IBOPE.
A culpa é de Deus? Pelo menos de São Pedro? Com certeza. Mas além dele e de sua antiga rixa com São Paulo, tem muito de humano piorando a situação. Ninguém discute a quantidade de água que já caiu. Mas a falta de manutenção ajuda as enchentes. É só olhar a água empoçada nas ruas por conta dos bueiros e galerias sujos e entupidos.
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Depois de 40 dias navegando sobre terras alagadas pelo dilúvio, Noé encalhou no monte Ararat, para dar início ao repovoamento da terra arrasada pela ira de Deus.
Falar em ira de Deus, quando em outros lugares pessoas sofrem mais do que nós, seria blasfêmia. Não caberia a comparação.
O que são nossas chuvas diante do terremoto que destruiu Porto Príncipe? Em termos históricos, sociológicos e econômicos não há comparação possível.
Mas nossas chuvas batem recordes impressionantes. Já está chovendo a mais tempo do que no dilúvio e, de um jeito ou de outro, tocamos em frente, sem necessidade da arca, que, hoje, no Brasil, verdade seja dita, não conseguiria zarpar.
Entre burocracia, corrupção, nepotismo e desconhecimento, a grande barca ficaria parada, com sorte num porto, sem sorte, num manguezal qualquer, apreendida por ficais do IBAMA, porque estaria carregando animais autóctones sem a respectiva licença ambiental.
Por bem ou por mal, a vida segue sua rotina. A cidade trabalha. O trânsito não anda. E a CET continua a única certeza dentro do caos.
Cenas impressionantes recheiam os jornais da noite. Bravura, tragédia, miséria e desolação enchem as telas das TV’s, e analises de todos os tipos são feitas, ressaltando o óbvio, que é o que dá IBOPE.
A culpa é de Deus? Pelo menos de São Pedro? Com certeza. Mas além dele e de sua antiga rixa com São Paulo, tem muito de humano piorando a situação. Ninguém discute a quantidade de água que já caiu. Mas a falta de manutenção ajuda as enchentes. É só olhar a água empoçada nas ruas por conta dos bueiros e galerias sujos e entupidos.
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