Cr nicas
A ARTISTA CIDA PIMENTEL

Um dia Deus pegou um pedaço de argila, começou a brincar, amassou para cá, amassou para lá, fez rolinho, colocou dois gravetos na parte de cima, dois na parte de baixo, achou que faltava alguma coisa, então fez mais uma bolinha, colocou em cima dos gravetos de cima e assoprou para secar mais rápido.

Com o sopro divino a brincadeira ganhou vida. A imagem desengonçada começou a balançar as pernas e os braços. Então Deus a colocou no chão, olhou para ela, riu com ternura, e disse para ser feliz, brincando nos campos do Paraíso.

Cida Pimentel não é Deus, mas, como todos nós, tem o sopro divino, que, anos atrás, ela descobriu que poderia exteriorizar, trabalhando a argila, como o Senhor na semana da criação.

Mas se a argila está na essência de cada um de nós, ela permite também a redescoberta de outras essências, em formas criadas por mãos humanas, no ritmo de Deus ao dar vida às criaturas.

E se Ele nos fez homem e mulher, Cida cria suas obras com o mesmo carinho com que Deus olhou o primeiro homem, no primeiro átimo de sua vida.

Cida evoluiu. Descobriu o ferro, o metal mágico que permitiu ao homem domar os campos fora do Paraíso e nos abriu as portas pra conquista do planeta numa parceria lúdica com o fogo.

E veio a surpresa na descoberta da temporalidade da força bruta: O ferro retorna ao pó. Como nós.

Por isso Cida trabalha o metal com a energia dos deuses na luta contra os titãs. E por isso vale a pena conhecer sua obra, recém exposta em Paris, pelo seu site na Internet.

Voltar