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CENTENÁRIO DE ADONIRAN

Num ano em que os mais variados centenários serão comemorados, inclusive com missa para Joaquim Nabuco encomendada pela Academia Brasileira de Letras, vale lembrar um dos grandes nomes da música brasileira, o genial Adoniran Barbosa.

Adoniran se iguala ao que tem de melhor na música popular. Alguém que coloca num samba, “num posso ficar mais nenhum minuto com você, sinto muito amor, mas não pode ser. Moro em Jaçanã. Se eu perder este trem que sai agora às onze horas, só amanhã de manhã”, não precisa apresentação, a letra fala por ele.

E quando este mesmo compositor, em outra obra prima da música nacional coloca: “Deus dá o frio conforme o cobertor”, fica evidente sua dimensão.

O mesmo ano que comemora o centenário de Noel Rosa, comemora o centenário de Adoniran Barbosa. Um o grande poeta do Rio de Janeiro, o outro o sambista de São Paulo, os dois imbatíveis na crítica social, feita com jeito, com manha e talento, em músicas inesquecíveis e sistematicamente regravadas pelos maiores cantores do país.

As homenagens pelo centenário de Adoniran serão a certeza do reconhecimento de um dos maiores compositores brasileiros.

O autor de “Tiro ao Álvaro” transcende a São Paulo que falava uma rica mistura de caipira com italiano abrasileirado. Adquire dimensão de gênio na poesia simples, elaborada com cuidado em versos eternos, completados pela música perfeita para transmitir a letra e seu contexto.

Durante anos, todas as tardes, Adoniran ia para a Rádio Eldorado, na Rua Major Quedinho, deitava-se num sofá e dormia feliz, em paz com os almoços boêmios que, afinal de contas, fazem parte desta vida.

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