Cr nicas
RESEDÁ

Durante muitos achei que se chamava Julieta. Não sei por que. Se por ato falho, por entender mal, ou porque meu pai realmente me falou que o nome era Julieta.

Para mim sempre foi Julieta. E como pra mim é uma das árvores mais simpáticas e mais delicadas, me parecia lógico ter o nome da heroína de Sheakspeare.

Afinal, Julieta é nome pra falar de amor, história trágica unindo dois jovens apaixonados, ela o símbolo da doçura.

Por que uma árvore - se é que se pode chamar de árvore um arbusto que fica grande - que floresce em branco, rosa e roxo, não poderia ter o nome de Julieta?

Para mim, tinha. E foi Julieta durante anos. Até eu saber, faz poucos dias, que o nome correto é Resedá.

Resedá. Nome poético, que lembra românticas histórias do folclore brasileiro.

Quem sabe nome de heroína do cangaço. Companheira de um cabra de Lampião, amiga de Maria Bonita e Dada.

Quem sabe mulher de jangadeiro. De pescador de alto mar, de dono de saveiro na Bahia, ou de canoa de um pau só em Cananéia.

Tanto faz. Resedá é nome de mulher. Cai bem na pequena árvore que floresce em janeiro e agora, delicadamente, enfeita a cidade.

Gostei de saber que eu não sabia o nome correto de uma planta chamada Resedá que eu namoro, com flores ou não, mas esperando o momento da florada, com o mesmo carinho com que olho as violetas colocadas ao lado das orquídeas.

Essa crônica é sua. Resedá, só você pode mudar a cor do dia.

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