Cr nicas
A DOENÇA DA HEBE

É para deixar o país pasmo. De repente, sem aviso prévio, sem preparação, a nação descobriu que sua musa maior, a grande dama da televisão, Hebe Camargo, estava doente.

Mais rapidamente ainda, fica sabendo que ela foi operada, e, em seguida que tem um raro tipo de câncer.

É difícil acreditar que alguém com a vitalidade e as vibrações positivas de Hebe Camargo pode ficar doente, e mais difícil ainda imaginá-la com câncer. Afinal, Hebe é a prova viva de que envelhecer e viver mais são duas coisas distintas. E que viver mais pode ser muito bom, por tudo de belo que nos ensina. Pela compaixão, pela paciência e pela boa vontade com os outros.

Se envelhecer é complicado, o exemplo de vida de Hebe Camargo, ao longo de anos e anos, diariamente, exuberante, ética, mostrando o lado bom da vida, até quando o assunto é dramático, não deixa margem para a certeza de que tem gente que não envelhece, fica mais experiente.

Ela é o grande exemplo. A prova viva de que a passagem dos anos não precisa ser negativa, que pelo contrário, pode aumentar a sensibilidade, a percepção do mundo e a paciência para aceitá-lo, com o que tem de bom e de ruim, para tentar fazê-lo melhor.

Hebe Camargo doente é uma contradição. E, no entanto, é parte da vida. A grande dama do sorriso deslumbrante e dos olhos amigos está doente. Foi operada e tem que se submeter a uma série de quimioterapias.

Para os pessimistas, para quem a doença seria um prato cheio, eu tenho uma má notícia: ela vai tirar de letra. Vai dar a volta por cima e vai voltar para encantar os brasileiros, que vendo Hebe Camargo sorrindo, terão mais um motivo para acreditar que dá para fazer um país melhor.

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