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JARDIM PANTANAL

Poucas cenas foram mais tristes do que as ruas do Jardim Pantanal alagadas durante dias, numa sessão de tortura ininterrupta, por mais de duas semanas.

O desmoronamento na Ilha Grande é dramático. As cenas do deslizamento do morro em Angra dos Reis é trágica, o terremoto no Haiti mostra que sempre pode acontecer alguma coisa pior, mas nenhuma delas tira a tristeza de um bairro debaixo d’água, com as casas inundadas e a água nas ruas.

Notícia de jornal. Imagem de televisão. Tema para discussão sobre a ocupação desordenada do planalto de Piratininga. Tudo é válido.

O problema é que quem mora lá não pode ficar debaixo d’água. Não tem cabimento deixar centenas de pessoas nesta situação.

Então o que fazer? Se for para deixar a demagogia de lado e agir como deve, a única solução é a desocupação permanente da região.

A área ocupada pelo Jardim Pantanal é várzea de rio e o que é mais grave, mais baixa que o leito normal do Tietê. Quer dizer, não tem o que fazer, vai inundar sempre que o rio sair da calha. E, o que é pior, ficará inundada até a água ser absorvida pelo solo, ou evaporar, porque, em função da topografia, não tem para onde escoar.

É dramático? Com certeza. Mas a pergunta que vem antes é: será que não é mais dramático terem permitido que esta região fosse ocupada?

A Vila Pantanal não tem este nome por acaso, nem é uma homenagem as belezas do Pantanal de Mato Grosso. O nome é uma lembrança do que acontece anualmente no estado vizinho. Por isso, a única solução sempre foi retirar os moradores e impedir que o pedaço seja ocupado de novo.

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