Cr nicas
VIOLÊNCIA BAIANA

Trancoso no ano novo é uma festa. A cidade no sul da Bahia é uma graça e se durante o ano todo vale a visita, nas festas de final de ano fica melhor ainda. Pelo menos até a hora de ir embora, pegar o avião e voltar para São Paulo, na noite do dia 3 de janeiro.

Aí, em poucos instantes os dias deliciosos podem se transformar num inferno, no tronco atravessado, fechando a estrada; na descrença do motorista e que ao vê-lo, em vez de dar marcha-ré e fugir enquanto dava tempo, ameaça descer do carro para tirar o pedaço de árvore; e, graças a Deus, na precipitação dos assaltantes, que surgiram antes do motorista descer, lhe dando tempo de fechar a porta, ligar o carro e sair feito um louco, batendo de lado no tronco, mas conseguindo fugir dos bandidos e do tiro que um deles deu, por sorte, sem acertar ninguém.

Quem me contou foi pessoa próxima, que estava dentro do carro, com mais dois rapazes e o motorista que os levava para o aeroporto a pedido do dono da pousada onde tinham ficado hospedados.

Segundo ela foi cena de horror. De filme. E só não acabou de forma trágica, porque o assaltante que atirou quando o motorista acelerou o carro, ficou em dúvida se atirava ou não.

Se ele quisesse teria matado alguém. A distância não permitia erro. Era mirar e puxar o gatilho. E ele o fez, mas sem convicção, como se não tivesse certeza se queria atirar, o que salvou a vida de todos, e permitiu-lhes fugir.

Um cético poderia dizer que frente às tragédias que deram o tom ao começo de 2010, uma tentativa de assalto mal sucedida não é para se levar a sério. É verdade, mas só porque não foi com ele. Assim, lembre-se: Trancoso é uma festa, mas os assaltos correm soltos. Como aqui.

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