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O ADEUS DO CA’D’ORO

Durante décadas ele foi símbolo de luxo e conforto. Ao longo de um longo período como melhor hotel de São Paulo, o Ca’d’oro reinou soberano, até a abertura dos hotéis que a partir da década de 80 começaram a mudar a cara da hotelaria paulistana.

Mas mesmo aí ele não perdeu majestade. Continuou a ser um ponto de referência na arte de receber e hospedar. Além de ter um dos melhores restaurantes da cidade.

Mas São Paulo é uma cidade cruel. Ou melhor, uma cidade insensível. Ela caminha pelo planalto deixando esqueletos à sua passagem.

Que o digam os Campos Elíseos, a Cracolândia, a região em volta do Minhocão, e todo o centro velho.

Com o avanço para a Paulista e depois para Faria Lima e Berrini, o eixo de negócios mudou. O centro ficou fora de mão e o trânsito completou o processo, exigindo algumas horas para um simples almoço.

O destino do hotel foi selado pela distância. Antes dele, outros hotéis que também marcaram época fecharam pelo mesmo motivo.

E o fechadíssimo São Paulo Clube, durante décadas o clube mais exclusivo da cidade, para não acabar, foi incorporado pelo Iate Clube de Santos.

Ritos de uma metrópole nascida antropófaga, fundada por índios, aventureiros e padres que convivam com banquetes e rituais onde era servida carne humana.

O Ca’d’oro é mais uma vítima deste processo alucinante, mas com certeza não será a última. Pena que ele feche as portas justamente quando o centro velho ameaça voltar, feito Fênix renascida.

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