Cr nicas
O NEGÓCIO É MULTAR

Manhã cedo na ponte da Cidade Jardim. O trânsito se arrasta com a velocidade dos cágados apostando corrida. A entrada da ponte, por baixo, saindo da Marginal é o caos.

Os marronzinhos insistem em colocar cavaletes além da distancia necessária, encompridando a linha que impossibilita a entrada de quem vem pela Marginal, mas facilita para quem tenta entrar nela interromper tudo, porque a fila para a Avenida dos Bandeirantes não anda.

Até aí tudo bem. É a rotina. O dia a dia sofrido de quem anda pela cidade. O duro é em cima, no triangulo que serve de entrada para quem sai da Marginal, vindo pela outra pista, disposto a pegar a Avenida Cidade Jardim.

Lá estão eles, de perua amarela e tudo. Três ou quatro numa área pequena, impassíveis, dentro de seus uniformes cor de burro quando foge.

Conversando. Conversando. Conversando. Três entre eles, o quarto no telefone.

Todos com os bloquinhos nas mãos. Porque se conversar é bom, multar é muito melhor, ainda mais quando dá pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Nada como conversar e multar. O trânsito que se dane. Se anda ou não anda, tanto faz. Como não anda mesmo, pra que perder tempo tentando colocar ordem, ou ao menos obrigar os motoristas a seguirem o plano básico, a idéia inicial?

Não. Basta multar. Multar muito, multar com convicção, mas sem parar de conversar. Afinal, uma das vantagens de ser marronzinho é a quase obrigação de conversarem um com o outro. O trânsito? Ora o trânsito. Não passa de mero detalhe, sem importância nenhuma.

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