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UM MOMENTO DE BELEZA

A beleza justifica. Um momento de beleza faz o feio e o ruim perderem o sentido diante da magia contagiante que o deslumbramento cria. Tanto em paz interior, como no arrepio que sobe pelas costas, numa sensação física de enorme bem estar.

Mas o que é a beleza? Como definir o belo, colocar em palavras uma sensação única, que vai além da possibilidade das línguas e que transcende a compreensão, aproximando o humano do divino?

O que é belo? Um por do sol visto da USP? A nona de Beethoven? O concerto para flauta e harpa de Mozart? A Venus nascendo do mar no quadro de Botticelli? O menino e o cavalo de Picasso?

O que é belo? Uma tempestade de verão? Um trem partindo? Um veleiro perto da costa?

O que é mais belo que as formas do corpo da mulher? O que é mais belo que a mulher?

O que é mais belo que um soneto? Que os versos de Fernando Pessoas, de Vinícius de Moraes ou de Paulo Bomfim?

A beleza é inexplicável, mas é concreta e nos atinge fisicamente. Vai muito além da idéia de um conceito teórico.

A beleza não é teoria, é prática.

Existe em cada um de nós e surge nos momentos certos, nos quais a conjugação de fatores internos e externos explode num instante único.

A festa do centenário da Academia Paulista de Letras, no CIEE, foi um destes momentos.

Foi curta, bela e rica. Mas acima de tudo foi comovente, especialmente em seu final, com o maestro João Carlos Martins e seus pupilos mostrando que está em nós fazer a beleza superar a adversidade.

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