Cr nicas
NO RITMO DA FLORADAS DOS FLAMBOYANTS

Quantas vezes por dia você pensa em Quéops? E em Salomão, ou nos lírios do campo? Pois é, a vida é feita de enganos. Entre eles a auto-importância pesa e distorce os fatos, fazendo-nos crer que aquilo que não é, é, como se a vida fosse apenas o que queremos ou sonhamos e não algo muito além da nossa mísera capacidade de imaginar.

Quem se lembra de Rubem Berta? Ou do Gabriel Monteiro da Silva, para não falar em Teodoro Ramos, ou Wendell Winkle?

Todos, nomes de ruas, pontes e avenidas, assim como Bernardo Goldfarb, Euzébio Mattoso e José Vieira, que além de tudo, nunca existiu, porque seu nome, de verdade, até a CET meter o nariz no que não entende, era José Mesquita.

Então, fazer o que? Nada, exceto ter juízo e não voar baixo, imaginado-se mais do que é, ou do que vida lhe deixa ser.

Quem sabe o melhor exemplo venha da florada dos flamboyants. Poucas árvores conseguem misturar o vermelho e o verde com a graça e o equilíbrio dos flamboyants, mas ao contrário das azaléias que não têm noção de medida, quem sabe por serem menos, os flamboyants não se iludem.

Eles sabem que tudo é passageiro e que as floradas vêm para depois acabarem, transformadas na armadilha para enganar trouxa e forçar aves e abelhas a se aproximarem para polinizar e assim preservar a espécie.

Cada macaco no seu galho. A cidade não tem macacos, ou a maior parte das árvores urbanas nunca viu um macaco, nem vai ver. A regra vale para a importância das coisas. Tudo é relativo. Nada é, tudo está. E é aí que mora o equilíbrio. A certeza de não ser é a que é correta.

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