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O BURACO NA FAIXA DE PEDESTRES

Imagine a cena: você vai pela calçada entra na faixa de pedestre, coloca o pé num buraco sutilmente escondido nela, cai e quebra ou torce a perna, o que o obriga a ficar de molho por pelo menos dez dias, com o pé imobilizado, e proibido de colocá-lo no chão.

Não ria já. Acidentes como este acontecem com mais freqüência do que você imagina, em conseqüência de uma associação indecorosa entre a falta de manutenção das faixas de pedestres e os buracos que se instalam nelas, camuflados de forma a não chamar atenção até ser tarde demais, e você estar estendido no chão, com a perna ou o pé comprometido.

Não faz muito tempo uma prima e querida amiga, foi vítima de um destes buracos, que, depois do acidente, ela descobriu, estava lá fazia tempo, mantendo um alto grau de eficiência no cumprimento de suas metas diárias.

Instalado numa faixa de pedestres próxima ao Mackenzie, o dito cujo, com ar de perfeita inocência, se esconde entre as linhas mal pintadas e o asfalto deteriorado para derrubar vítimas incautas e, no happy-hour dos buracos, na frente de um chope gelado, contar para os amigos como é fácil abater humanos, quando se adota a técnica correta.

Em São Paulo está cada vez mais fácil fazer isso. A proliferação de buracos atingiu proporções inimagináveis. E eles se espalham por todos os cantos da cidade, nos ditos leitos carroçáveis e nas calçadas, com a certeza do dia bem ganho muito antes da maratona começar.

É ter paciência e deixar a rotina trabalhar a seu favor. Esperar a hora certa e facilitar a queda. O resto é decorrência da ansiedade que faz o ser humano quere correr cada dia mais.

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