Cr nicas
OS JACARANDÁS RESISTEM
Pode parecer incrível, mas os jacarandás mimosos se recusam a entregar os pontos. Em outras palavras, prosseguem com sua florada, ainda que já sendo tempo de saírem de cena, preparando o caminho para as árvores de final de ano, como os flamboyants e espatódias.
Pode ser porque as tipuanas continuam floridas. Não sei. As árvores são seres sensíveis, com noção de espaço e tempo, assim não gostam de ser atropeladas.
Vá saber. De repente os jacarandás estão magoados com elas porque as florzinhas amarelas estão lhes fazendo sombra na imensidão urbana.
O fato é que tanto uns quanto as outras não dão o braço a torcer e seguem em frente, como se não fosse com eles.
Ganha a cidade que fica enfeitada. Contraponto para as crateras que dia a dia aparecem em todos os cantos, das faixas de pedestres para fora.
Não tem pedaço da cidade que não esteja tomada.
Alguns afirmam que é porque decidimos competir de novo pelo título de mais suíça das cidades brasileiras, mas eu ainda tenho dúvidas.
Me parece mais lógico aceitar que uma epidemia de catapora se abateu sobre São Paulo, cobrando seu preço, escondida pelas floradas que distraem os estatísticos do IBGE, e que assim alteram os resultados das pesquisas, encantados pela delicadeza das flores fazendo segunda voz para os troncos escuros e rudes das tipuanas e dos jacarandás.
Pode ser. Num mundo cada vez mais alucinado, tudo pode ser. Inclusive a soma de uma epidemia de catapora com os preparativos para o concurso suíço. Se é certo que de um lado o céu está mais colorido, de outro os buracos de espalham, sem a menor cerimônia.
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Pode parecer incrível, mas os jacarandás mimosos se recusam a entregar os pontos. Em outras palavras, prosseguem com sua florada, ainda que já sendo tempo de saírem de cena, preparando o caminho para as árvores de final de ano, como os flamboyants e espatódias.
Pode ser porque as tipuanas continuam floridas. Não sei. As árvores são seres sensíveis, com noção de espaço e tempo, assim não gostam de ser atropeladas.
Vá saber. De repente os jacarandás estão magoados com elas porque as florzinhas amarelas estão lhes fazendo sombra na imensidão urbana.
O fato é que tanto uns quanto as outras não dão o braço a torcer e seguem em frente, como se não fosse com eles.
Ganha a cidade que fica enfeitada. Contraponto para as crateras que dia a dia aparecem em todos os cantos, das faixas de pedestres para fora.
Não tem pedaço da cidade que não esteja tomada.
Alguns afirmam que é porque decidimos competir de novo pelo título de mais suíça das cidades brasileiras, mas eu ainda tenho dúvidas.
Me parece mais lógico aceitar que uma epidemia de catapora se abateu sobre São Paulo, cobrando seu preço, escondida pelas floradas que distraem os estatísticos do IBGE, e que assim alteram os resultados das pesquisas, encantados pela delicadeza das flores fazendo segunda voz para os troncos escuros e rudes das tipuanas e dos jacarandás.
Pode ser. Num mundo cada vez mais alucinado, tudo pode ser. Inclusive a soma de uma epidemia de catapora com os preparativos para o concurso suíço. Se é certo que de um lado o céu está mais colorido, de outro os buracos de espalham, sem a menor cerimônia.
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