Cr nicas
O ÍNDIO E A ONÇA ESTÃO A SALVOS

Falando assim, pode parecer que não, que há exagero meu, que as coisas nunca foram tão negras como eu as pintei. Afinal, de um lado estão índios, araras e onças, enquanto do outro está apenas uma unha de gato.

Que chance a vulgar trepadeira teria numa luta como esta? Pois é, a resposta é apavorante: todas.

Quem não tinha chance, se não recebesse o auxílio de um bom jardineiro, seriam os índios, as araras e as onças.

A verdade é que as unhas de gato não têm medo deles. Nem juntos, nem separados. Tanto se lhes faz. No muro quem manda é ela e não tem bom para lhe fazer frente, seja lá do jeito que for, exceto um honesto jardineiro, com uma boa tesoura na mão.

E foi isso que aconteceu. Quando mais uma vez parecia que a unha de gato iria tomar de assalto aquele determinado pedaço de muro, não foi bem assim. No último momento, como acontecia nos filmes de caubói e índios, a cavalaria chegou para salvar os mocinhos, cercados por selvagens sanguinários, armados com arcos e flechas capazes de vencer os rifles de repetição.

Não é a primeira vez que acontece de quase acontecer, mas no instante derradeiro, não acontecer. As unhas de gato já comemoraram a vitória várias vezes, mas, em todas, um momento antes do ataque final, uma tesoura de jardim colocou fim ao sonho expansionista.

Agora, além de impedir o ataque das unhas de gato, estão retocando o mural. Arrumando o índio, as araras e a onça. Dando-lhes dignidade e esperança de um futuro a salvo dos ataques da trepadeira. Tomara que seja pra sempre. O painel no muro da FAAP é belo demais para ser engolido por uma mera unha de gato.

Voltar